Tudo começou em 2017, a partir de várias prosas, encontros e ações conjuntas de diversas artistas drag queens da capital federal que almejavam fortalecer e dar visibilidade para o trabalho cultural que vinha acontecendo de maneira isolada.

Mas não bastava apenas nos encontrar para trocar experiências, era preciso ir além. E assimfomos, aos poucos, construindo espaços e projetos com cunho cultural, político e social, por entender a cultura drag como parte fundamental da comunidade LGBTI e, portanto, devíamos estar inseridas nos temas e dilemas da sociedade contemporânea.

Além de diversas iniciativas que já vinham ocorrendo, como oficinas de iniciação à arte drag, projetos sociais, dentre outros, uma das primeiras ações de articulação conjunta com um caráter político foi quando mais de 34 drags em uma nota pública se posicionaram a favor da Portaria nº 277 da Secretaria de Cultura do DF, de 28 de setembro de 2017, que instituía a Política Cultural LGBTI+ e repudiava os ataques da bancada evangélica da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O Governo recuou, revogando a portaria, mas nós seguimos firmes, num claro sinal do potencial organizador das drags queens. E neste contexto surge então o Calendário Drag Queen, conhecido como Calendrag, que mobilizou aproximadamente 50 pessoas entre dragqueens, fotográfos e equipe de produção, num processo de trabalho voluntário e solidário em prol da Casa Rosa, entidade que visa o trabalho com pessoas LGBTI expulsas de casa e que vivem em situação de vulnerabilidade social. O Calendrag é uma síntese da arte vinculada com questões sociais e políticas.

O lançamento do Calendrag ocorreu no dia 19 de dezembro de 2017, no Museu Nacional da República, reunindo aproximadamente 300 pessoas. E no dia 11 de fevereiro de 2018, para comemorar um carnaval “sem temer”, colocamos na rua a troça carnavalesca “Montadas – o bloco da diversidade”, onde participaram mais de 15 mil pessoas.