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Um ponto super importante das eleições de 2018 é que nunca se viu tanto candidato abertamente LGBTIs e que defendem a causa. Porque não basta só ser, precisa estar do nosso lado (vide alguns exemplos já eleitos). Na outra ponta está o eleitor, que, ao decidir o voto, pode partir do seguinte princípio: LGBTI vota em LGBTI!

Se duvidar, este foi o tema de todas as paradas desse ano. Não por acaso. As forças conservadoras que trabalham contra nosso progresso se organizaram por este meio, se tornando fatores, muitas vezes, determinantes nas eleições. Isso significa ser tratado como prioridade na sociedade, que “vale a pena” ser ouvida, e, portanto, não veem suas demandas como moeda de troca em tramitações políticas. Todos os cidadãos, cidadãs e cidadães deveriam ter este tratamento também, mas não é assim que a coisa tem corrido.

Então é preciso agir com inteligência e fazer o que 18 anos de Big Brother nos ensinou: COMBINAR VOTO!

Veja quem são os candidatos LGBTIs do seu estado. Observe as propostas, se você se identifica com elas, afinal, como falei, não basta só ser LGBTI. Se nenhum deles conquistar sua confiança, observe como as pessoas que você está pensando em votar se posicionam em relação ao tema.

Também há candidatos que “todo mundo sabe dele”, ou que têm uma vivência diferente da heteronormativa, mas que não traz à baila na campanha. Isso não é um problema, pois ninguém é obrigado a falar sobre isso. A pessoa pode ser LGBTI e isso não ser um tema na campanha. Entretanto, observe se o posicionamento destes e destas é hipócrita, pois, aí sim, considero um defeito grave de caráter.

Nesta eleição, o voto mais importante é o do Legislativo.Cada eleitor vai votar em um deputado federal e dois senadores. Dos três poderes, é justamente deste que têm vindo os piores golpes contra nossos direitos. O Congresso NUNCA aprovou nem um único projeto de lei que nos protegesse ou garantisse nossos direitos. Não fossem as decisões do Judiciário e alguns decretos do Executivo, oficialmente nada teria mudado. E nas esferas estaduais e municipais a situação não é muito melhor. Logo, é lá que mais precisamos estar presentes.

Diante do novo formato de financiamento de campanha, surgiu uma forma de apoiar candidaturas que nos interessem, mesmo que não possa dar o voto. Por exemplo, sempre dizem “gostaria tanto de votarno Jean Wyllys, mas meu título não é no Rio de Janeiro”. Pois se não pode dar o voto, pode doar dinheiro para a campanha dele, ou de qualquer outro candidato que lhe agrade. Cito o exemplo do Jean, primeiro porque doei para ele (nunca tinha feito isso na vida, mas acho imprescindível que ele esteja lá), e segundo porque seu nome é o que mais ouço das pessoas dizerem que gostariam de ajudá-lo. Convenhamos, raríssimos são os candidatos LGBTIs que realmente têm dinheiro para investir numa campanha de grande monta. E doar significa se conectar com o candidato e cobrar dele com mais vontade – nosso papel depois do fim da eleição.

Tenho muito orgulho dos candidatos assumidamente LGBTIs de Brasília. Têm ótimas opções para os mais variados pensamentos políticos. Não encontrei esse dado em outros estados. Se vocês puderem colar nos comentários os candidatos dos outros lugares, seria de grande ajuda. Pode colar também a galera que não é LGBTI, mas que está ligada à pauta. Eles também são nossos parceiros. Talvez alguém poderia criar um perfil de Facebook CANDIDATOS LGBTIs PELO BRASIL, para facilitar para os eleitores. Seria excelente.

Ítalo Damasceno

Escreve a coluna Vozes LGBT, no portal Metrópoles, e é roteirista e escritor. Graduado em Direito, pela Universidade Federal do Piauí, mas gosta mesmo é de dar pitaco em novela. Para contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.